quinta-feira, 20 de outubro de 2011
PALHAÇOS ALEGRARAM PASSAGEIROS NO AEROPORTO DE GUARULHOS
"Em comemoração ao Dia das Crianças, no dia 12/10, os palhaços Catarino e Romão, respectivamente, Mauro Pires Neto e Adenilson Medeiros Teixeira do grupo “Esquadrilha da Risada” alegraram quem passou pelo Aeroporto Internacional de São Paulo / Guarulhos.
Caracterizados como pilotos da década de 40, com macacões, capacetes de couro e slogan “Rindo, o tempo passa voando”, os palhaços circularam pelo piso de embarque divertindo crianças, passageiros e funcionários. “Isso é muito bacana. Rir é muito bom, ainda mais aqui, que às vezes é um ambiente agitado”, declararam os passageiros Marcos Cunha e Maria Cunha.
Os aposentados Doni Medeiros e Tadeu Albuquerque descobriram que a dupla estaria no aeroporto em postada pela rede social Facebook vieram conferir de perto: “Com qualquer estresse vai embora. Sempre que podemos, estamos onde a esquadrilha está”, disseram os amigos.
Ao final, Mauro Pires, o palhaço Catarino, concluiu que o resultado foi muito bacana. “No começo as pessoas estranham, mas depois relaxam, é muito bom ver o sorriso e a alegria no rosto das
pessoas”.
A Esquadrilha da Risada foi formada em 2007, e é composta pelos palhaços, Catarino interpretado por Mauro Pires; e o palhaço Romão, interpretado por Adenilson Teixeira. A proposta dos participantes é proporcionar entretenimento aos usuários de aeroportos minimizando o estresse, medo de avião e tensão verificados nos momentos que antecedem uma viagem.
Mais informações sobre o grupo podem ser vista no site www.esquadrilhadarisada.com.br
Notas GRU nº141 Outubro/2011 -Área de Imprensa de Guarulhos"
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Diário de Bordo – 11/08/2011
Pilotos Romão, Acerola e Catarino prontos para mais um vôo. Normalmente iniciamos o trabalho pelo Embarque Internacional, mas dessa vez, pedimos a opinião para um usuário do Aeroporto que nos indicou o Embarque Nacional para iniciar o trabalho. Somos obedientes e, claro, os passageiros são os nossos melhores companheiros e lá estávamos nós no Embarque Nacional.
Logo de primeira, encontramos pessoas da Bahia, e como não poderia ser diferente, dançamos a dança típica da região, o Axé. Com músicas atuais como “onda olha a onda” e “segura o tchan”, movimentamos aquelas pessoas que estavam deitadas sobre as malas, e algumas pessoas que estavam fazendo check in. Nos sentimos na Bahia, só faltou o acarajé, a praia, o sol, a rede... bom, pelo menos as pessoas eram da Bahia, pelo remelexo e fala mansa.
Como o Aeroporto é um local freqüentado pelos mais variados tipos de seres humanos, Piloto Catarino com seu cabelo esvoaçante e exótico (pra não dizer que parece que enfiou o dedo na tomada) foi parado por uma família de Goiânia (que incrivelmente estava em São Paulo e voltando para Goiânia). A menina mais nova (8 anos de idade) espantada com a “beleza” do cabelo de Catarino, disse “Olha Catarino, a minha mãe conhece uma cabeleireira fantástica, ela sabe fazer chapinha! Vou falar pra minha mãe te dar o cartão dela, você liga e faz uma chapinha pra melhorar esse cabelo”. Diante dessa indicação, Catarino só teve a reação de abraçá-la e agradecer a indicação, mas no fundo, bem lá no fundo, e visivelmente, pudemos comprovar que Catarino não seguiu a recomendação, pois seu cabelo ainda está esvoaçante e exótico (pra não dizer despenteado e bagunçado).
Uma despedida nos chamou atenção. Uma menininha no colo do pai, começa a acenar para os pilotos. Paramos e retribuímos o aceno e mandamos beijos. Ela retribuiu e deu-se então uma variedade de diferentes possibilidades para envio de beijos a distância. Estilos “chuvinha”, “carrinho de fricção”, “voador”, “fogos de artifício”, e “estilingue” foram os que fizeram maior sucesso. Por que uma despedida pode ser triste, se também podemos brincar nesses momentos?
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Diário de bordo dia 04 de agosto de 2011
Aeroporto Internacional de Guarulhos,
Eu Piloto Catarino, junto com o Piloto Romão, em mais uma das nossas aventuras nos deparamos com duas moças que estavam entediadas, pois estavam há mais de quatro horas esperando para irem para casa. Essas moças não sei porque, começaram a rir de nós, parecem que nunca viram dois pilotos na vida.
Eu cheguei com toda calma do mundo e pedi para elas pararem de rir, e comecei a explicar que o piloto Romão sofre de uma doença muito rara chamada Riso-frouxo, e toda vez que alguém começa a rir ele é contagiado e não consegue parar de rir. Ele só pára quando as outras pessoas param.
E como ele já é mais idoso, eu temo pelo uniforme, e tenho medo que ele urine nas calças assim fazendo passarmos a maior vergonha.
Enquanto eu pedia para as moças pararem, elas riam mais ainda, contagiando todos a sua volta. Nisso, a epidemia se alastrou e umas 30 pessoas começaram a rir, e eu desesperado prezando a saúde do meu companheiro e piloto Romão, até minha reputação estava em jogo. Comecei a implorar para que todos parassem! Mas quanto mais eu pedia, mais aumentava o numero de pessoas rindo, então sai correndo atrás de um médico, mas não tinha ninguém que pudesse me ajudar. O piloto Romão já quase se molhando todo e roxo de tanto rir. Não tive outra escolha a não ser levá-lo para longe daquelas pessoas que estavam achando que nós estávamos fazendo palhaçada.
Já mais calmo e com o piloto Romão recomposto demos prosseguimento na nossa aventura.
Não se esqueçam, nós da ESQUADRILHA DA RISADA estamos uma vez por semana no Aeroporto de Guarulhos para entreter e divertir as pessoas, fazendo o tempo de espera parecer mais curto.
Pois RINDO O TEMPO PASSA VOANDO.
Se você quiser apoiar está idéia entre em contato conosco no site www.esquadrilhadarisada.com.br.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Evento no Excelentíssimo Bar - SBC
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Estréia Piloto Acerola!!!

É isso aí amigos, ontem foi meu primeiro vôo pela Esquadrilha da Risada, conforme publiquei o texto anterior. Dia de desafios, afinal de contas é um novo ambiente para um velho palhaço que tem medo de viajar de avião, e ainda adaptando o jogo com os Pilotos Catarino e Romão.
Realmente a diferença de ambiente (hospital e aeroporto) muda bastante o tipo de jogo. O hospital te pede tudo pequenino, quase em marcha lenta em várias vezes. Já o aeroporto é enorme, pede gestos grandes, cenas visíveis a todos, e como tem gente! É gente viajando pra todo lado, é brasileiro, gringo, mais ou menos, tem de tudo!
Das cenas mais curiosas foi o fato de nos prepararmos para uma luta (que graças a Deus e todos os seus anjos da guarda, não aconteceu!) entre nós e a equipe de boxe dos Emirádos Árabes. O Aeroporto ia presenciar picadinho de palhaço. Mas, tudo se resolve com uma boa conversa na qual ninguém entende ninguém e todos saem rindo e felizes! Vai entender.
Fizemos também o saguão de espera do Desembarque Nacional aguardar ansiosamente a Dona Teresinha. Tirando a família, ninguém a conhecia, mas foi uma festa enorme a sua chegada. E o melhor de tudo, uma senhora simpatissíssima! Dá pra entender o porque de todos gostarem dela mesmo sem conhecê-la.
Palhaço também é informação, e dentro do Aeroporto mais informa do que desinforma. Foi um dia em que tivemos que organizar o pessoal dos Abutres (um grupo que viaja de moto estrada a fora, você já deve tê-los visto por aí), mas sem moto, eles se perdem. Foi nossa função organizar e informar as pessoas onde cada um estava... não foi tarefa fácil pois eles não se organizam nunca (vai cada um pra um lado), mas era só avistar um visual a lá "Mad Max", pronto, um perdido a menos!
No mais, estou agora ansioso para o próximo vôo, este, ficou com gostinho de "quero mais".
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Guarulhos, 21 de julho de 2011,20h00, Aeroporto Internacional André Franco Montoro, mais conhecido como “Cumbica”.
Saímos da sala do Sr. Lira depois de uma ótima conversa e lembranças do tempo em que a extinta Varig e Cruzeiro existiam. O Sr. Lira nos desejou boa sorte, e como é bom receber bons desejos!
Partimos para nossa viagem, e logo nos deparamos com uma equipe infantil da Federação Paulista de Karatê. As crianças ficaram abismadas com a nossa exímia demonstração da arte marcial. Não satisfeito, o piloto Catarino, explicou que é um grande mestre e pediu para que eles repetissem tudo que faria. Todos a nossa volta pararam e ficaram olhando.
Catarino começou a fazer gestos seguidos de um mantra. BERREI: “Chei chei cole”
Romão e as crianças repetiram os gestos e gritaram também: “Chei chei cole”
NOVOS GESTOS E NOVO BERRO: “Cheico lisa”. Romão e as crianças imitaram: “Cheico lisa”
Assim, nós fizemos um katá bem humorado, animando não somente aquele grupo e sim todas as pessoas que estavam assistindo de perto e de longe.
Seguimos a nossa aventura depois de descobrir que: Ka = Caminho Ra=Mão Te= Vazia então Karatê é o caminho da mão vazia. Saimos confabulando e vendo que estávamos de mãos vazias.
Andávamos tranquilamente quando observamos uma BMW último modelo, branquíssima, lindíssima, estacionada no piso superior do aeroporto. AQUILO não podia estar acontecendo. Onde já se viu um carro estacionado no piso superior de um aeroporto. Então resolvemos procurar o dono do veículo e aplicar uma multa por estacionamento proibido. Perguntamos para vários suspeitos que estavam ali sentados tomando café e todos eles falaram a mesma frase: "Quem me dera ter este carro. Eu teria dinheiro para pagar a multa".
Resolvemos nos separar, fomos cada um para um lado.
O piloto Catarino encontrou um grupo de competidores de “O HOMEM MAIS FORTE DO MUNDO” competição de quem puxa mais peso. Desafiou aqueles “monstros” para um braço de ferro, mas como eles tiveram receio de perder, recuaram, então Catarino pulou em cima do maior deles para mostrar toda sua força, o gigante nem se abalou e os outros tiraram fotos daquela cena ridícula.
Enquanto Catarino se deliciava com vários homens fortes, o piloto Romão, viu três funcionárias da Infraero passando por ali, conversando e dando muitas risadas. Então resolveu participar daquele momento. Elas continuaram andando e duas delas perceberam a sua presença. Sem falar nada e acompanhando-as, ele dava muitas risadas e isso contagiou as duas mais ainda. A terceira, vendo as amigas rindo e sem vê-lo, dava mais risada acreditando que o assunto que elas falavam era o que provocava toda aquela alegria. Quando a terceira percebeu a presença do Rmão, os quatro quase rolaramos no chão de tanto rir. Enquanto tudo isso acontecia, alguns funcionários e clientes da Pizza Hut se divertiam com a cena.
Quando as três funcionárias finalmente entraram no corredor que as levaria para o local de trabalho, Romão parou no balcão da Pizza Hut e, sem falar nada, continuou dando muitas risadas com um cliente que estava no caixa e com alguns funcionários. Então eles pediram para que ele entrasse no restaurante para alegrar o pessoal que estava lá no fundo. Se recuperando das risadas Romão disse que só iria se o seu parceiro, o piloto Catarino, fosse junto. Duas funcionárias o ajudaram a chamar o Catarino, mas neste exato momento ele estava no colo dos rapazes fortes, e demorou um pouco para ouvir o chamado do Romão. Entramos no restaurante e brincamos com algumas pessoas.
Uma mesa com uma família convidou-nos com os "olhos" para ir até lá. Quando nos aproximamos da mesa, uma menina comentou: "olha, um palhaço!", porém o avô disse: "ele não é palhaço, é um piloto aposentado". A menina não entendeu nada e disse: "piloto? então vocês se conhecem?". Daí Romão disse que era um piloto antigo, que adorava voar, estudou muito tempo desde o 14 Bis, para se tornar um piloto profissional, que já estava aposentado, mas continuava voando e iria pilotar todos os aviões que estavam no aeroporto aquele dia, e o avô dela era seu mecânico preferido.
Após falar isso, Romão saiu para o encontro com Catarino. Juntos, foram até a saída dos vôos nacionais da asa A. Lá, o piloto Catarino, conheceu seu futuro sogro e cunhado que estavam a espera de Fernanda uma linda garota para quem jurou amor eterno mesmo sem conhecê-la. O piloto Romão ficou no aguardo de Felipe, um recém casado, que Mariana, sua esposa, aguardava ansiosamente, pois era o aniversário dele. Foi longa a espera e Catarino desesperado contava para todo mundo à sua volta, que iria pedir a mão de Fernanda em casamento assim que ela chegasse, e Romão pedia ajuda para todos cantassem parabéns a Felipe.
Fernanda chegou. Catarino desesperado, ajoelhou-se e começou a declarar seu amor por ELA. Todos de olhos grudados naquela cena romântica, presenciaram o maior fora da história do aeroporto. Ela virou as costas e o deixou ali, ajoelhado, sozinho, enquanto todos riam da sua cara de choro.
Piloto Romão ao lado de Mariana torcendo pela chegada de Felipe, riam sem parar da tentativa frustrada do Catarino desencalhar. Ele correu para longe atrás de um grupo que estava atrasado para ir para NY. Berrando "corram, corram NY nos espera".
Felipe chegou e Mariana correu para seus braços. Romão puxou o parabéns e Catarino, mesmo chegando atrasado, cantou junto com a multidão.
E assim terminou mais um vôo da Esquadrilha da Risada, voaremos de novo brevemente.
Até lá.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Você jamais será quem voce não é...
Quando um palhaço olha para a platéia ele está dizendo: olhem como eu sou, eu sou assim, vocês me amam mesmo assim? O riso é a aceitação da platéia. É ela dizendo sim. Quando a platéia diz sim, ele está livre para dizer: "Fuck you!". Pois, por mais que vocês me amem, eu nunca serei do jeito que vocês querem que eu seja. Então o palhaço está livre para molhar a platéia, usar e abusar dela, mas lembrem-se: nunca façam isso se não tiverem certeza de que ela está dando a vocês o seu amor, que está amando vocês do jeito que vocês são. Senão ela os rechaça.
quinta-feira, 3 de março de 2011
PALHAÇO - O Perdedor
E Leo Bassi continuou: "Eu não me importo em ser o perdedor, porque não me importo com a minha imagem. Se o palhaço perdeu, então não tem mais nada a perder. Quando não se tem mais nada a perder pode-se fazer o que quiser. Por isso é uma entidade libertária, por isso tem o poder de transgredir, o poder das autoridades. Muitas crianças tem medo dos palhaços, é importante que se tenha medo dos palhaços, inclusive os adultos, pois nunca sabemos o que ele é capaz de fazer".
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Das Vantagens de ser Bobo
texto de Clarisse Lispector
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: - Estou fazendo, estou pensando.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.
Resultado: não funciona.
Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo.
Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: - Até tu, Brutus?
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Estou Tiririca da vida!
Abaixo, a matéria na íntegra.
No futuro dirão que os brasileiros de hoje eram tão cruéis quanto os antepassados escravocratas, afinal não damos voz aos analfabetos. Aliás, é bom lembrar que somente alfabetizados podem dividir as classes em A, B, C, D, E...
Meu medo é que, no futuro hipotético, o exemplo seja o Tiririca. A vergonha do palhaço não é ser analfabeto, mas usar seu talento para arrastar votos no joguete embromador.
De cara, escrevi aqui nesta Folha que votaria nele, se ele NÃO fossecandidato. Aí seria um protesto.
As urnas eletrônicas tiraram o prazer de anular o voto escrevendo uma frase indignada ou um palavrão. A tecnologia domesticou a rebeldia. Tudo tão politicamente correto que tentaram calar até os humoristas.
Voto nulo sugere uma heresia. Mas foram expressivos no último pleito, chegando a 5,51% na votação para presidente. Por que ninguém fala deles? Quantos serão anulados no segundo turno? Podem ser tão decisivos quanto uma aliança com o PV.
Por que os letrados, oriundos da esquerda, que fizeram a democracia pós-ditadura ficam se engalfinhando por causa das alianças à direita do outro? Parece um reality show de picuinhas pessoais.
Pela porta do fanatismo passam todos os tipos de irracionalidades como preconceitos, desejo de calar o outro, investigações alopradas, boatos etc. E resolver a situação do país? Isso alfabetizados não se preocupam.
A imensa desigualdade social vira pó e a TV só mostra obras maquiadas.
A propaganda, aquela que oferece ideias, morreu. Vicejou a publicidade, a venda de produtos. Os marqueteiros nos vendem qualquer um de maneira tão surpreendente que talvez esses candidatos mal se reconheçam diante do espelho.
Eu, quando coloco um nariz vermelho, sei muito bem de que lado estou. Não engulo o coronelismo e o populismo que fazem deste país um curral, onde se ganha mais e mais dinheiro à custa da falta de educação dos miseráveis.
Não vou tripudiar sobre um analfabeto abestado, até por que ele não lerá esse artigo. E os que podem ler? Uma geração vem de universidades que nos dão o preconceito de caretas que tornaram Geyse Arruda uma celebridade da fazenda tropical. Nela ou em Brasília, os porcos de
Orwell, se tornaram, no poder, tão parecidos com os humanos que dão nojo.
Pode parecer piada, mas o Tiririca desonrou o ofício dos palhaços ao se tornar deputado. Eu queria que fosse apenas uma palhaçada, mas peço seriamente: senhores candidatos à Presidência, fixem-se na vontade real de que o nosso país seja de fato melhor, politicamente
alfabetizado.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Somos artistas
Eu sou melhor do que eu, melhor do que penso que sou, posso vir a ser melhor do que tenho sido, mais amplo, generoso, menos circunscrito a mim. Eu, o sentenciado; eu, o agente, o funcionário, o artista. Artistas somos, todos nós.
Nós acreditamos que o ato de transformar é transformador: quando transformo, eu me transformo. Não como os animais, que também transformam a realidade, porém dentro de um projeto geneticamente determinado. Cada pássaro canta o seu gorjeio e não o alheio; o seu trinado, sempre o mesmo e sem surpresas. Só com o ser humano, que é capaz de sonhar o futuro, nascem a Cultura, a Arte, a Ciência, a Invenção. Nasce a certeza de que um mundo melhor é possível.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Quem quer dinheiro!!!
No mês de março fomos convidados para participar de um concurso de palhaços no programa do Silvio Santos.
Porém qual cena mostraríamos? Decidimos que seria a cena do banheiro, inicialmente ensaida pelo Catarino e pelo Joel.
Quando chegamos no SBT levamos um susto, pois vimos vários estilos de palhaços diferente do que estudamos. Muitas cores e extravagâncias.
Todos os palhaços que saíam do estudio, saíam quase chorando, pois segundo eles, os selecionadores não mostravam nenhuma reação se gostou ou não. E lá fomos nós, Romão e o Catarino mostrar nossa cena. E não é que os selecionadores e algumas pessoas que estavam no estúdio deram bastante risadas... Saímos de lá felizes e com bastante esperança de ser chamado para a gravação do programa.
Dia 03/04/2010 um carro do SBT foi nos buscar em casa para participar da gravação do Programa do Silvio Santos, chique né?!??! Seis grupos de palhaços foram selecionados, mas somente quatro participariam da gravação, ou seja, mais uma seleção... Por coincidência, três outros grupo são nossos amigos... Novamente fomos selecionados, ou seja, estávamos na final!!!
A primeira cena foi da Zebra Maluca, depois entrou o Luizinho com seu personagem Caipira, em seguida entrou nós da Esquadrilha da Risada e por último entrou a Gabriela Winter com seu personagem Mendigo.
Foi fantástico, ficamos em segundo lugar. Tive o prazer de conhecer o Silvio Santos e receber de suas mãos o prêmio em dinheiro...
domingo, 7 de março de 2010
O que é ser palhaço?
O que vem à cabeça de seu filho quando ele pensa em circo? Entre malabaristas, trapezistas e mágicos, o palhaço é um dos principais símbolos da arte circense. Para falar sobre essa figura tão especial, a Crescer entrevisou alguém com muita experiência: Roger Avanzi, que faz o papel de Picolino há 54 anos.
O pai de Roger foi o italiano Nerino Avanzi, dono do famoso Circo Nerino. A mãe foi a francesa de família tradicional circense, Armandine. "Eu comecei a trabalhar no circo nove meses antes de nascer", diz. Roger tinha 32 anos quando substituiu o pai no papel de palhaço principal. "Sou o Picolino II, meu pai foi o primeiro", diz. O Circo Nerino parou de funcionar em 1964, mas Roger continua atuando até hoje.
CRESCER: O que é ser palhaço?
PICOLINO: Eu sempre recito um poema que pode responder bem à sua pergunta: "Ser palhaço é saber disfarçar a própria dor. É saber esconder que também é sofredor, porque se o palhaço está sofrendo, ninguém deve perceber, pois o palhaço nem tem o direito de sofrer".
CRESCER: Qual é a importância do palhaço pro circo?
PICOLINO: Ele é o personagem principal. Podem existir muitos outros artistas, mas se não tiver um palhaço, o circo não serve. Ele é a alma do circo. E quando dizem que a nossa alegria é ver o circo pegar fogo, é de verdade - só que no bom sentido...O palhaço sempre quer ver a plateia animada.
CRESCER:Tudo no circo é muito lúdico para a criança. Mas o palhaço parece ser ainda mais encantador. Por quê?
PICOLINO: O palhaço é bonito, colorido, engraçado e gentil com a criança. E, ao contrário de muitos adultos, que não gostam de brincar, o palhaço gosta e se diverte com isso.
CRESCER: A relação do palhaço com a plateia mudou ao longo do tempo?
PICOLINO: O circo está sempre mudando, o palhaço também. Antigamente, o palhaço ficava só no picadeiro e não envolvia a plateia nas brincadeiras. Hoje, ele se comunica muito com o público, chama as pessoas para brincar no picadeiro e vai até elas na plateia.
CRESCER: Qual é a palhaçada de que as crianças mais gostam?
PICOLINO: Ah, isso é difícil dizer. Todo mundo gosta quando o palhaço cai. Eu fazia isso de propósito, para divertir as pessoas. Só que às vezes eu errava mesmo, e acabava me machucando. Mas valeu a pena!
CRESCER: Criança tem medo de palhaço ou isso é uma bobagem?
PICOLINO: As crianças têm gostos muito particulares. Eu me lembro de quando animava festas de aniversário e, muitas vezes, o próprio aniversariante ficava com medo de mim. Acho que é porque o palhaço é uma figura diferente e a criança pode se assustar. Mas, em algumas dessas ocasiões, aquela criança que não se aproximava no início logo entrava na brincadeira.
CRESCER: Você ainda trabalha como palhaço?
PICOLINO: Continuo trabalhando em circo apenas quando me convidam para fazer espetáculos especiais. Apesar de estar com 86 anos, ainda pinto a cara de Picolino! O que mais tenho feito são palestras para falar sobre o meu personagem. Eu tenho tanta coisa pra contar, que acabo fazendo uma salada!
CRESCER: E afinal, qual é o segredo para viver tantos anos e tão bem?
PICOLINO: Ser feliz! A felicidade me ajuda a viver bem. Tudo o que fiz, se tivesse que fazer de novo, faria com toda alegria e boa vontade! A vida de circo é maravilhosa
quarta-feira, 3 de março de 2010
Dizem que o povo gosta
"É disso que o povo gosta!" - assim justificam os canais de televisão a qualidade execrável de muitos dos seus piores programas.
Fosse válido este argumento, estariam nossas escolas autorizadas a substituir as difíceis matemáticas, a última flor do Lácio e a filosofia kantiana por fáceis aulas práticas do sensual Kama Sutra, porque é disto que o povo gosta...
Nossos museus exibiriam, em lugar de obras-primas da pintura renascentista, as esculturais coelhinhas da Playboy, ao vivo, porque disto a máscula metade brasileira sempre foi ávida - disto o povo gosta, e com apetite!
Nossos hospitais, em vez de médicos e medicamentos, empregariam homens de terno e gravata operando histéricos descarregos, sacerdotes de variadas religiões eletrônicas, porque, infelizmente, as curas milagrosas são o refúgio de boa parte da nossa igênua população, que disto gosta ou isto teme: das televisivas bocas pastorais jorram labaredas do ameaçador diabo tridentino, rouco e fanho, exigindo o dízimo, em horário nobre!
Outro argumento, falaz como o primeiro, diz que a TV deve mostrar a crua realidade tal como é, sem grinaldas nem guirlandas. Para este efeito, proliferam policiais perseguindo bandidos em alta velocidade; casais acusando-se de caleidoscópicas infidelidades e promovendo físicas violências diante das ávidas câmeras; portadores de exóticas deformidades lamentando a sorte ingrata e o cruel destino. Realidades são: existem! Quem duvida? Realidades banais, vidas vazias, sem rumo, sem sal. É assim mesmo, dizem, é a vida como ela é...
Mas - cabe a pergunta - a vida de quem? Não existem outras vidas neste Brasil imenso? Seremos todos reles idiotas?
Neste últimos anos, no Brasil, seguindo a trilha de vários outros países do mundo, assistimos à proliferação do pior e mais nefasto dos programas que já surgiram nessa fábrica de vacuidades que é a TV: os reality-shows.
Neles, pessoas insossas - sem o menor interesse intelectual, sem que se destaquem artística, política ou socialmente, nem sequer pelas tatuagens impregnadas em seus ombros, costas, nádegas e cóccix - ficam encerradas em uma casa sem nada dizer ou fazer, nenhum objetivo a perseguir a não ser o de permanecer em cena o maior tempo possível atraindo a atenção dos camera-men, esperançosos de um close-up.
As telenovelas - mesmo de trama inverossímil e flácida, mesmo superficial e anódina - mostram relações humanas estruturadas segundo certos valores morais e políticos... mesmo discutíveis. Já os reality-shows, ao optarem pela ausência (aparente) de qualquer trama preconcebida, ao deixarem que tudo aconteça ao sabor do acaso, e pela total falta de lucidez de pensamento, nada oferecem a não ser o despropósito daquelas vidas psiquicamente vegetativas.
Vidas fragmentadas e míopes, sem metas em longo prazo, nas quais a maior preocupação ontológica dos personagens é abrir a geladeira e reclamar da falta de uma boa pizza; sua maior angústia, o telefone que não toca.
Essa fragmentação se assemelha ao cotidiano igualmente fragmentado da maioria dos telespectadores que são, assim, confortados em suas vidas despropositadas.
Qual o universo vocabular desses reality-shows? Talvez não alcance as básicas duzentas ou trezentas palavras usadas comumente na TV, mesmo se incluirmos artigos e pronomes, interjeições e nomes próprios, e as frequentes onomatopéias.
Que idéias inteligentes poderá gerar esse esquálido repertório léxico? Talvez somente uma: desliguem suas TVs.